Clínica psiquiátrica: reduto de fumantes, ex-fumantes e futuros fumantes

Estive internada durante duas vezes em um espaço psiquiátrico - Hospital Espírita André Luiz, em um bairro afastado de Belo Horizonte, Minas Gerais. A primeira internação foi depois de uma combinação explosiva: Sibutramina, remédio para emagrecer, e um anti-depressivo. Os medicamentos foram receitados pelo meu antigo psiquiatra, que se dizia da religião espírita e tinha fé em me ajudar. Até hoje eu não entendo porque ele receitou o remédio para emagrecer, sabendo dos riscos que eu corria. Só para lembrar, esses medicamentos atuam no sistema nervoso de uma forma, na maioria das vezes, prejudicial à saúde do paciente depressivo.

Perdi o controle da minha mente. Tomei repetidas vezes um calmante, sem ter consciência do ato e muito menos dos riscos de morte que rondavam a minha vida. Logo depois, fiquei ainda mais agitada e agressiva. Tentei bater na minha empregada, uma pessoa que sempre me ajudou nos momentos mais difíceis. Logo ela, uma pessoa tranquila, que ama o meu filho e tem uma fé inabalável em Deus. Depois disso, tive uma convulsão e fiu atendida, primeiro em uma unidade básica de saúde para uma lavagem no estômago, e logo em seguida, encaminhada ao Hospital André Luiz (tinha a carteirinha da UNIMED). Todos acreditavam que eu tinha tentado o suicídio. NÃO FOI. VOU REPETIR QUANTAS VEZES FOR PRECISO: EU NÃO TINHA CONSCIÊNCIA DA QUANTIDADE DE MEDICAMENTOS INGERIDOS. NUNCA PENSEI EM SUICÍDIO, POR PIOR QUE FOSSE MINHA SITUAÇÃO EMOCIONAL, UFFA!!!

A segunda internação, no mesmo hospital, foi voluntária, depois de vários apelos da minha famíla e uma tentativa forçada e frustrada por parte do meu irmão e do meu cunhado. Acreditei que seria melhor ir, já que na minha cabeça eu seria "resgatada de lá por um grande amor de eternas vidas ou encarnações". Nas duas únicas internações (até hoje), fiquei 38 dias - no total - "trancada dentro de um hospital psiquiátrico". Recebi apenas uma visita dos meus dois irmãos. Alguns queridos amigos foram me visitar. Fiquei muito comovida e feliz. Recebi telefonemas de pessoas amigas.

Em um hospital psiquiátrico não tem muito o que se fazer. São poucas e tediosas atividades de "arteterapia" ou seja, o "louco" fica enganando a mente, por meio de confecção de pequenos e inúteis objetos "de arte". Era a hora do horror! "A hora do pátio" era a mais esperada por todos, mas durava em média 20 minutos, nada mais.

O hospital tinha várias regras rígidas, mas os "fumôdromos" estavam por toda parte: corredores, escadas, pátio, quartos... Depois de oito anos sem colocar um único cigarro na boca, me rendi aos efeitos "calmantes" e também maléficos do tabaco. O Hospital Psiquiátrico é o reduto dos fumantes, ex-fumantes e futuros fumantes.

2 comentários:

  1. eu também já estive lá.e saí bem pior do que entrei, dão passes em pessoas com problemas e eles parecem incorporar espíritos(alucinações) é um horror!

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  2. Ei amigo, é muito difícil a experiência em uma clínica psiquiátrica, mas, muitas vezes, é necessário. O diagnóstico tardio é o principal responsável pelo agravamento do problema. A média é 10 anos. Um horror! Espero que, hoje, vc esteja bem, sem precisar das clínicas. Um forte abraço!

    Adriana

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